Mesmo seduzidos pelos joguinhos de computador e outras engenhocas, capazes de prendê-los por horas a uma poltrona, alheios a tudo o que acontece à sua volta, movendo apenas os dedos, muitos dos meninos de hoje ainda se rendem aos poderes mágicos dos brinquedos de antigamente. Não é raro encontrar aqueles que, entre um tablet e uma bola, preferem a segunda opção. Os pais se surpreendem com o tanto que é possível entreter e alegrar uma criança com o que há de mais simples, o que nem sempre está à venda nas lojas ou anunciado na internet. É incrível mas é verdade: às vezes basta apenas o contato com a natureza.

Na primeira semana de 2017, minha mulher e eu celebramos os cinco anos de Carlos no Parque Tom Jobim, no bairro Luxemburgo. Com os coleguinhas, ele correu e pulou, explorando cada metro daquele belo recanto, ornado com um verde vistoso, que enche os olhos. No final, soprou, sob a sombra das árvores, a vela que enfeitava o bolo de cenoura com chocolate. Terminou o dia feliz da vida. Pelo que apuramos, os convidados também se divertiram muito, no meio das plantas, ao ar livre, usufruindo de um espaço público seguro e bem cuidado.

Anteontem, meu filho passou a tarde inteira brincando. Ainda assim, conseguiu chegar em casa, no começo da noite, com a corda toda. Trouxe nas mãos uma pipa colorida, convocando as minhas habilidades de empinador e confirmando a popularidade dos brinquedos antigos e simples. Improvisei alguns movimentos com o papagaio confeccionado horas antes, na colônia de férias. Lembrei-me das aulas de Educação Artística do Colégio Loyola, quando a professora Ana Maria organizava concursos entre os alunos, com direito à final na Praça do Papa, no bairro das Mangabeiras, por onde até hoje sopra o vento adequado a essa atividade tão benquista entre os pequenos. Não há magia que se iguale a projetar, entre as nuvens, a frágil nave feita de papel de seda e bambu, para que voe sem limites, subindo bem alto, na dança sinuosa que fascina a infância de todas as gerações: ‘até onde ela pode chegar?’, perguntou Carlos, os olhos brilhando.

Meu filho também gosta dos balões a gás, desses que, em um segundo, por descuido ou vontade, deixamos escapar para sempre, talvez para vê-los mergulhar e sumir na imensidão do céu, esse azul sem fim que excita a imaginação. Não foi apenas uma vez que Carlos me indagou: ‘para onde foi o meu balão?’ Respondo que ele partiu numa viagem sem volta, como a vida da gente. O loirinho me olha intrigado, sem entender direito o que quero dizer. Percebo, no entanto, que a sua curiosidade o levará a outras perguntas, mobilizando o seu pensamento e os seus passos. Talvez por conta dela, quem sabe, meu filho desenvolva um amor especial ao conhecimento, o talismã mais valioso que ele pode levar consigo, pela vida afora. Nada como aprender brincando…