Boa noite a todos. Cumprimento o distinto público na pessoa do presidente Técio Lins e Silva, liderança firme, combativa e destemida, que honra e dignifica a advocacia pátria e a história do Instituto dos Advogados Brasileiros, a Casa de Montezuma, de Sobral Pinto e de Eduardo Seabra Fagundes. Berço da Ordem dos Advogados do Brasil, referência mais que secular no campo da reflexão jurídica, paradigma para a atuação das mulheres e dos homens do Direito, o IAB é patrimônio da cultura nacional, farol que ilumina e orienta, espaço que acolhe e aproxima os melhores estudiosos do fenômeno jurídico entre nós. Mais uma prova disso é colhida hoje, na sessão em que se incorpora aos quadros da entidade o doutor Edivaldo Machado Boaventura, a quem tenho o privilégio de dar as boas vindas.

Nascido no município baiano de Feira de Santana, na manhã de dez de dezembro de 1933, descendendo de tradicional e prestigiada família daquela cidade, Edivaldo foi aluno dos jesuítas, no famoso Colégio Antônio Vieira, fundado em 1911, em Salvador. Também na capital baiana, concluiu o Curso Preparatório de Oficiais de Reserva, em 1954. Na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, estudou Ciências Sociais. Na Faculdade de Direito da mesma instituição, conviveu com professores como Orlando Gomes, então diretor da escola, Machado Neto, Nelson Sampaio, Josaphat Marinho, Adalício Nogueira, Augusto Alexandre Machado, Aloysio de Carvalho Filho, Aderbal da Cunha Gonçalves e Lafayette Pondé. Naquele período, participou ativamente da União dos Estudantes da Bahia, a UEB, e da Juventude Universitária Católica, a JUC.

Formado em outubro de 1959, Edivaldo Machado Boaventura teve seu nome aprovado para integrar a primeira turma do Curso de Desenvolvimento Econômico, então criado pela SUDENE, a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste. Ele era ministrado, no Recife, por professores da Comissão Econômica para a America Latina, a CEPAL, e por docentes pernambucanos. Foi também na SUDENE, logo após concluir o Curso, que teve a sua primeira experiência profissional, como Técnico em Desenvolvimento Econômico, entre 61 e 63. Em 1960, começou o seu Doutorado em Direito, quando também iniciou suas atividades como docente no ensino superior. Deu aulas de Direito do Menor na Universidade Católica de Salvador e de Direito Administrativo e Introdução à Economia Política na Escola de Estatística da Fundação Visconde de Cairu. Por essa época, também militou na advocacia. Sua inscrição na seção baiana da OAB recebeu o número 1691. Tomando posse como juiz do trabalho em 63, exerceu a magistratura por sete anos. Em 64, doutorou-se e conquistou o título de livre docente em Economia Política pela Universidade Federal da Bahia. No final desse ano, estudou Economia do Desenvolvimento na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Paris. Em 70, aos trinta e seis anos, convidado pelo Governador Luis Vianna Filho, exerceu pela primeira vez o cargo de Secretário de Estado da Educação e Cultura da Bahia.

Suas realizações à frente da Secretaria foram marcantes. Edivaldo concluiu os Centros Integrados de Educação, implantou cursos superiores de formação de professores em vários municípios do interior do estado, terminou a obra de construção da Biblioteca Pública e restaurou vários museus importantes. Um de seus feitos mais notáveis, nesse período, foi a construção do Parque Castro Alves, em Cabaceiras do Paraguaçu.

Em 71, trabalhou no Instituto Internacional de Planificação da Educação da UNESCO, em Paris. De volta ao Brasil, coordenou o Mestrado em Educação da Universidade Federal e presidiu o Conselho Estadual de Educação. Entre 1978 e 1981, Edivaldo Machado Boaventura ainda fez mestrado e doutorado em Administração Educacional na Pennsylvania State University, Estados Unidos.

Entre 83 e 87, no governo de João Durval Carneiro, ocupou pela segunda vez o cargo de Secretário de Estado da Educação e Cultura, quando reorganizou as estruturas do Conselho Estadual de Educação e do Conselho Estadual de Cultura, criou a Universidade do Estado da Bahia, a UNEB, e consolidou a Universidade Estadual de Feira de Santana. Dessa época data outra de suas iniciativas memoráveis: o Parque Estadual de Canudos.

No campo da comunicação social, é permanente a atuação de Edivaldo Machado Boaventura, tendo começado bem moço a publicar artigos na imprensa brasileira. Como um de seus dirigentes, esteve por mais de quinze anos na função de diretor geral do importante e respeitado jornal A Tarde, de Salvador, fundado em 1912. Professor emérito da Universidade Federal da Bahia, hoje permanece lecionando, seja na Universidade Salvador, a UNIFACS, seja na Fundação Visconde de Cairu, instituições nas quais também continua orientando os jovens pesquisadores.

Sua obra é extensa e abrangente. Nela, vê-se o rigor que caracteriza tudo o que Edivaldo Machado Boaventura faz. Dos mais de cinqüenta títulos que publicou, destaco: ‘Universidade em Mudança: problemas de estrutura e de funcionamento da educação superior’, ‘A educação brasileira e o direito’, ‘Universidade Federal da Bahia: trajetória de uma universidade, 1946 – 1996’, ‘Introdução ao Enquadramento Sindical’, ‘Incentivos ao desenvolvimento regional’ e ‘Estudos sobre Castro Alves’.

Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, da Academia de Letras da Bahia e da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, fundou a Academia Baiana de Educação. Animal gregário por excelência, como ele mesmo se define, Edivaldo também é membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Pen Clube do Brasil, da Academia de Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa de História e da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Dotado de impressionante capacidade de contribuir – efetivamente – para com as atividades das instituições a que se filia, tenho a certeza de que o seu ingresso nos quadros do IAB enriquecerá, em muito, a qualidade dos debates que aqui se travam, sobretudo os relacionados ao Direito à Educação, foco de interesse e estudo aprofundado de Edivaldo Machado Boaventura, causa a que dedicou a sua vida profissional e o melhor de sua produção intelectual, razão que lhe anima a pensar, a escrever, a partilhar o conhecimento adquirido e, principalmente, a agir, a fazer, a implementar, na realidade, aquilo que sonhou. Sua trajetória no serviço publico e na universidade são comprovações eloqüentes do que digo.

Seja bem vindo a essa casa, Edivaldo. Sua chegada nos alegra e nos entusiasma.

Muito obrigado!