Estimado Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais – Dr. Wagner Colombarolli,

Estimado Presidente emérito do Instituto – Dr. Jorge Lasmar,

Demais membros da mesa,

Distinto público:

 

Esta é a casa da memória. Aqui, combatemos o esquecimento, lutamos contra a ocultação dos fatos, buscamos o esclarecimento proporcionado pela pesquisa, pela investigação rigorosa dos acontecimentos, pela reflexão inteligente. Desse grupo de mulheres e homens reunidos por seu amor e sua devoção à verdade histórica, se exige a paciência dos que não se conformam com a versão mais fácil e mais cômoda, e se pede o exercício permanente da curiosidade e da desconfiança.

Esta é a mais antiga casa da memória de Minas Gerais até hoje em plena atividade. Fundado em 1907, o Instituto Histórico e Geográfico de nosso estado soube atravessar, altivo, o tormentoso século vinte, das guerras e das revoluções na política, na economia, na ciência e na técnica. Inteiro, o Instituto chegou aos anos dois mil capaz de agregar as melhores inteligências de nossa gente, as mais altas expressões de nossa cultura. O motivo que nos reúne nessa manhã comprova o que digo.

A posse, hoje, na cadeira de número vinte, cujo patrono é João Pandiá Calógeras, do professor Jorge Mascarenhas Lasmar, é momento especialíssimo. Um dos mais sofisticados e completos intelectuais de sua geração, o nosso mais novo confrade é bacharel em Direito pela UFMG e em Relações Internacionais pela PUC Minas, Mestre em Direito Internacional pela UFMG e Doutor em Relações Internacionais por uma das mais prestigiadas instituições de ensino do mundo: a London School of Economics. Atualmente, é chefe do Departamento de Relações Internacionais da PUC Minas, além de professor nas Faculdades Milton Campos. É membro da Comissão de Direito Internacional da seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil e do Instituto dos Advogados de Minas Gerais.

Sua tese de Doutorado intitulou-se, em tradução para o português, ‘O impacto da guerra global contra o terrorismo sobre as principais instituições da sociedade internacional’. Resultado de longa e intensa jornada de estudos e pesquisas, essa importante obra contribuiu para consolidar, definitivamente, a trajetória acadêmica e profissional do professor Jorge, hoje seguramente, uma das mais importantes referências da universidade brasileira e latino-americana em temas ligados ao terrorismo, à defesa nacional e às relações internacionais.

Por conta disso, o professor foi chamado a liderar a Rede Brasileira de Pesquisa Colaborativa sobre Terrorismo e Violência Política e é o Coordenador para a América Latina e para a América Central do Comitê para o Estudo da Sociedade Internacional.

Também é relevante mencionar que o professor Jorge atuou como docente convidado da Divisão de Doutrina da Inteligência da Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal no Curso Básico de Anti-Terrorismo e do Curso de Contra Terrorismo e Operações Antibombas, do Grupamento de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar de Minas Gerais.

Seria insuficiente, no entanto, se, para informá-los sobre o nosso novo confrade, eu me limitasse a registrar apenas os aspectos relativos à sua trajetória acadêmica e profissional. Cordial no trato, cuidadoso nas palavras, ético nas atitudes e firme em suas posições, o professor Jorge Mascarenhas Lasmar contribuirá, com certeza, para tornar ainda mais agradável e elevado o convívio no âmbito do Instituto. Afinal, essa é uma casa fraterna, em que se valoriza a fraternidade presente na palavra bem dita, na idéia bem exposta, na escuta atenta e generosa, na capacidade de compreender os pontos de vista e aceitá-los em sua integridade. A Casa de João Pinheiro fornece ambiente seguro e saudável para o debate em alto nível, a divergência civilizada, o embate maduro e positivo entre opiniões opostas. Afinal, mais que de certezas, essa casa vive da dúvida arguta, das perguntas que ainda não encontraram uma resposta, da tolerância em relação ao mistério em que as coisas, muitas vezes, estão mergulhadas.

Não poderia, portanto, ser mais oportuna e bem vinda a chegada, entre nós, de um pesquisador de ponta, de um investigador de faro fino e apurado, de um homem da universidade, dedicado a produzir conhecimento e acostumado a partilhá-lo, generoso, com seus alunos e seus leitores.

Mais que bem vinda, a chegada do professor Jorge Mascarenhas Lasmar é, ainda, prova da vitalidade do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. E eu explico por quê: poucas são as entidades culturais congêneres capazes de acolher, ao mesmo tempo, em seus quadros, o neto e seu avô. Refiro-me, naturalmente, ao presidente emérito dessa casa, o professor Jorge Lasmar.

Forte como o cedro do Líbano, testemunha do século, homem de múltiplos talentos, na inquietude e na viva inteligência de Jorge Lasmar encontrei muitos dos traços que caracterizam os seus descendentes, notadamente o nosso novo confrade. Amigo e colega de escola de meu pai e de meus tios, no célebre Ginásio Dom Lustosa, em Patrocínio, reconheço, com facilidade, em Jorge Lasmar, aquelas mesmas velhas e sólidas qualidades dos homens de sua geração com as quais convivi em casa, desde criança: o apreço pela palavra empenhada,  a garra para vencer na vida e progredir, a obstinação, o respeito às leis, o cavalheirismo, a afeição  ao livro, o gosto pela oratória, a irresistível vocação humanista.

Encerro, finalmente, essas breves palavras, na convicção de que, assim como ocorreu no século vinte, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais atravessará, altaneiro, o século vinte e um, sabendo prestar aos mineiros e aos brasileiros a valiosa contribuição de seu trabalho sério e qualificado. Essa minha certeza se amplia quando sei que, agora, a entidade passa a contar, em seus quadros, com um intelectual da dimensão de Jorge Mascarenhas Lasmar. Seja muito bem-vindo!

Muito obrigado!