Boa tarde a todos. Cumprimento o distinto público na pessoa da deputada Ione Pinheiro, à qual agradeço a generosa consideração do meu nome como merecedor do voto de congratulações ora recebido da Comissão de Cultura dessa casa, por ocasião da posse na Academia Mineira de Letras.

Eu não poderia estar mais honrado. Afinal, as manifestações emanadas dessa casa são feitas em nome do povo de Minas Gerais. Voz do cidadão, a Assembléia expressa a vontade e o pensamento dos mineiros. Essa é, afinal, a vocação do Parlamento, local em que, por meio da palavra, é tecido o destino da coletividade. Pilar da cultura e da civilização, o fenômeno da palavra é que permite a articulação do raciocínio e do debate; a geração de idéias e a formulação de soluções para os problemas e os conflitos humanos.

Igualmente tarefa da Assembléia, a escuta fina e perspicaz dos anseios da sociedade mineira também só pode ocorrer no âmbito da compreensão da palavra e dos significados que ela é capaz de produzir. É por isso que é fundamental que os representantes do povo mineiro saibam ler os sinais emitidos por sua cultura.

É por meio da cultura que a comunidade se dá a conhecer. É por meio da arte, uma das faces mais importantes da cultura, que a comunidade conforma a sua visão de mundo, suas lembranças do passado, seus sonhos e suas utopias. Não é possível, pois, atuar na política sem levar em conta a cultura e as manifestações artísticas, entre as quais está a literatura, paixão que move a Academia Mineira de Letras, desde a sua fundação, por um grupo de doze jovens intelectuais idealistas, em 25 de dezembro de 1909, em Juiz de Fora.

Transferida para Belo Horizonte poucos anos depois, a chamada ‘Casa de Alphonsus de Guimaraens’ norteou-se, sempre, pela missão que justifica, até hoje, a sua existência: a promoção da literatura, do livro e da Língua Portuguesa; a difusão do prazer da leitura e o estímulo para que ele seja acessível ao povo; a defesa do trabalho do escritor e a sua divulgação; a democratização do saber e do conhecimento, por meio da realização de eventos abertos ao público, com entrada franca.

Ao longo do século vinte, a Academia, sempre integrada por quarenta membros, a exemplo da Academia Brasileira de Letras e da Academia Francesa, recebeu os mais expressivos expoentes da melhor tradição da inteligência mineira. Entre diversos outros, pertenceram à AML nomes como Ciro dos Anjos, Abgar Renault, Emílio Moura, Henriqueta Lisboa, Bartolomeu Campos de Queiroz, Oscar Dias Correa, Afonso Arinos de Melo Franco, Victor Nunes Leal, Tancredo Neves, Pedro Aleixo, Gustavo Capanema e Milton Campos.

Presidida por lideres como Hely Menegale, José Oswaldo de Araujo, Vivaldi Moreira, Miguel Augusto Gonçalves de Souza, Murilo Badaró e Olavo Romano, a Academia chega ao século vinte e um como uma das instituições culturais mais longevas do estado até hoje em plena atividade. Quem freqüenta a intensa programação que ela oferece, na sua sede localizada à Rua da Bahia, numero 1466, se encanta com a habilidade com que a casa concilia a reverencia à tradição e o fascínio pelo novo, o moderno, o original. Hoje presente na internet e nas redes sociais, a AML desperta a curiosidade das novas gerações, que dela se aproximam com interesse e alegria, prontas para trocar experiências e fruir das experiências estéticas e culturais que ela proporciona. Agora mais aberta ao povo da cidade, às suas universidades e aos seus artistas, a Academia se consagra como patrimônio imaterial da história e da cultura de Minas. Por todas essas razões, é grande a minha alegria por haver sido admitido como um de seus membros, sendo, atualmente, o mais jovem entre os quarenta integrantes.

Minha responsabilidade é grande, mas não pesa sobre os ombros, como um fardo ou um sacrifício. Pelo contrario. É a responsabilidade de quem ama atuar no campo da cultura, de quem acredita, de verdade, que essa é uma das formas mais ricas de contribuir para um mundo melhor, mais belo e mais inteligente. Estou feliz e bem à vontade entre os meus pares, trabalhando com prazer para que a Academia continue atual e relevante, aberta à sociedade e capaz de prestar bons serviços ao povo de seu estado.

Dirijo, finalmente, uma palavra de agradecimento aos meus confrades, Olavo Romano e Márcio Sampaio, pela sua presença nesse momento tão especial. Obrigado por terem vindo. A Academia, afinal, é um empreendimento coletivo, de um grupo de mulheres e homens reunidos por sua afinidade com a cultura e com as letras. É um lugar de convivência fraterna e amena, e que assim prosseguirá.

Muito obrigado!