Bom dia a todos. Saúdo o público presente, as autoridades e os integrantes da mesa na pessoa do presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, Dr. Wagner Colombarolli, cuja gestão – agregadora, dinâmica e eficiente – marca época na história dessa entidade centenária, a mais antiga instituição cultural de Minas até hoje em plena atividade. Também dirijo menção especial ao jornalista Kerison Lopes, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, que homenageamos nessa manhã.

A sessão de hoje integra o programa de atividades sobre a história da mídia de Minas Gerais que tenho o prazer de coordenar, como titular da cadeira de número setenta e um, cujo patrono é o Padre José Joaquim Viegas de Menezes, considerado o precursor da imprensa no estado.

Nascido em Ouro Preto, em 1778, foi nessa cidade, em 1802, que Viegas começou a praticar a arte da impressão. Em 1807, em plena vigência da censura régia, utilizando uma técnica chamada calcografia, o padre Viegas foi capaz de viabilizar a publicação de um poema de quatorze páginas. Foi a primeira impressão oficial de Minas Gerais. Na tipografia construída por ele, em 1821, foram impressos os primeiros jornais do estado, como o Compilador Mineiro, fundado em 1823, a Abelha do Itaculumy, de 1824, e o Universal, de 1825.

Inspirado, pois, pelo patrono de minha cadeira, desde que tomei posse como membro dessa casa coube-me organizar dois ciclos de conferências sobre a história da mídia em Minas, reunindo, nesse auditório, e no Teatro da Academia Mineira de Letras, jornalistas, empresários e professores, com o objetivo de registrar a trajetória dos meios de comunicação mineiros e de refletir sobre as suas práticas, na esperança de contribuir para o seu aprimoramento. No ano que vem, será a vez do terceiro e último ciclo, fechando a trilogia que me propus a realizar quando aqui cheguei.

Toda reflexão sobre a mídia de Minas Gerais seria equivocada, no entanto, se desconhecesse ou minimizasse o que possibilita a sua existência, o que a move, o que lhe dá sentido: o trabalho de mulheres e homens que se dedicam ao ofício do jornalismo e que dele retiram o seu sustento e o de suas famílias; que por meio dele realizam a sua vocação e exercitam suas melhores habilidades intelectuais; que nele vêem o caminho para um mundo melhor, mais fraterno e mais justo.

Na sociedade contemporânea, complexa e sofisticada, atravessada por conflitos de dimensão global; ameaçada por tensões políticas, étnicas e religiosas aparentemente insolúveis; atordoada por avanços tecnológicos sem precedentes, capazes de alterar até as relações sociais, a informação de qualidade é elemento fundamental à busca da compreensão mais acurada da realidade, e, em conseqüência, da obtenção da paz e do desenvolvimento dos povos e das nações. E informação de qualidade, que incorpora todos os pontos de vista e respeita a inteligência do público, só pode ser formulada por profissionais que encontrem no seu ambiente laboral condições dignas para o exercício de suas atividades, preocupação central do Sindicato dos Jornalistas desde a sua fundação, em 6 de setembro de 1945, quando o Brasil se despedia do Estado Novo e ingressava no período democrático que durou até 64.

Foi justamente nos quase vinte anos que durou o regime militar que o Sindicato ganhou a dimensão que sempre coube à atuação dos jornalistas em tempos difíceis: a revolta contra o arbítrio, a denúncia das violações aos direitos humanos e a defesa das liberdades públicas. Ao lado do conselho seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, de setores da Igreja Católica, de outros sindicatos e de associações comunitárias, o Sindicato assumiu bandeiras como a anistia, a volta das eleições diretas e a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte. Mais recentemente, contribuiu para com os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão da Verdade em Minas.

Solidário, emprestou a sua sede para a fundação do sindicato dos médicos e dos professores de Minas Gerais, do escritório regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos e da seção mineira da Central Única dos Trabalhadores.

Nos últimos anos, o Sindicato continuou a zelar pelos interesses da categoria, ampliando sua condição de aglutinador e vocalizador do pensamento dos jornalistas mineiros, de seus direitos trabalhistas e de suas prerrogativas profissionais. Acontecimentos como o Congresso Estadual dos Jornalistas, o Encontro Estadual de Assessores de Imprensa e o Prêmio Délio Rocha de Jornalismo de Interesse Público são alguns dos exemplos de caminhos encontrados pelo Sindicato para cumprir a sua missão.

Entre outras, uma das frentes mais importantes de trabalho do Sindicato é a que se organizou para combater os atos de violência praticados contra os profissionais da imprensa em nosso estado e no Brasil, muitas vezes alvos de atentados e de assassinatos, perseguidos por sua opinião e por incomodarem poderosos.

Há que se destacar, ainda, como importante função do Sindicato, a de difundir a cultura da tolerância, do respeito à diversidade e às minorias, e contra o preconceito de qualquer natureza, como base para a convivência pacífica e civilizada, antípoda da barbárie, da selvageria e do ódio que, muitas vezes, exibem, atrevidos, no espaço público, a sua face repulsiva.

Para acolher, com generosidade, a riqueza das manifestações artísticas de Minas, o Sindicato inaugurou, em maio desse ano, importante espaço cultural, na sede da Avenida Álvares Cabral, onde já se apresentaram artistas de todos os estilos e tendências. É também assim, portanto, que, septuagenário, dá mostras de sua vitalidade ao abrir campo propício para o novo, o diferente, o original e o criativo, sendo capaz de fazê-lo conviver, com alegria, com a tradição e a história, de que outra comprovação é a recente revitalização da Casa do Jornalista, fundada em 28 de dezembro de 1965 e hoje presidida pelo jornalista Mauro Werkema, tendo como vice o jornalista José Maria Rabelo.

Finalmente, como forma de homenagear toda a categoria dos jornalistas mineiros, termino essa minha breve saudação invocando a memória dos ex-presidentes do Sindicato, mulheres e homens de diferentes origens e trajetórias, irmanados, porém, na intenção de contribuir para a elevação, a patamar superior, do jornalismo praticado em Minas Gerais e das condições de trabalho dos profissionais da imprensa: Ney Octaviani Bernis, José Mendonça, Cid Rebelo Horta, José Frederico Sobrinho, Ricardo de Carvalho, Gonçalo Coelho,Virgílio Horacio de Castro Veado, Salomão Borges, Dídimo Paiva, Washington Mello, Paulo Lott, Tilden Santiago, Manoel Marcos Guimarães, Luiz Carlos Bernardes, Américo Antunes, Aloísio Morais, Geraldo Correa, Dinorah do Carmo, Aloísio Lopes, Elian Guimarães, Eneida da Costa e Kerison Lopes.

A todos e a todos os jornalistas mineiros, parabéns pelo aniversário. Que venham os próximos setenta anos!