Durante a minha ‘campanha’ por uma vaga na Academia Mineira de Letras, vivi emoção especial quando visitei o seu decano. Cheguei ao apartamento de Oiliam José, na Rua Gonçalves Dias, quase esquina com Getúlio Vargas, no meio de uma tarde ensolarada. Recebido com a elegância e a cordialidade típicas de sua formação, passei bons momentos ao lado do famoso historiador, de sua esposa, dona Glorinha, e de seu filho João Hermano. Depois do café, tomei coragem e pedi ao dono da casa que autografasse o meu exemplar das ‘Efemérides’, impressionante registro sobre a trajetória da Casa de Alphonsus de Guimaraens, desde a sua fundação até o ano do centenário, em 2009. Revisto e atualizado várias vezes, o volume tornou-se o principal documento sobre a vida da instituição e se deve ao rigor e à obstinação de seu autor. Com gosto, meu anfitrião tomou da caneta e redigiu amável dedicatória no precioso livro, que guardo em local protegido na minha estante.

Nascido em Rio Branco, na Zona da Mata mineira, Oiliam José se dedicou ao jornalismo, fundando e dirigindo ‘O Ginasiano’ e ‘O Escoteiro’, e à atividade docente, tendo dado aulas de história geral e do Brasil, de Literatura Portuguesa e Brasileira. Contador e advogado, atuou por vários anos na profissão, havendo também exercido funções na Imprensa Oficial e na Secretaria de Segurança Pública. Sua vocação para a pesquisa, porém, foi mais forte, resultando na publicação de muitos livros importantes para a compreensão da história da nossa gente. Além de escrever sobre sua terra natal, publicou obras fundamentais sobre a propaganda republicana, o abolicionismo e o racismo em Minas, e o negro na economia mineira. É dele, igualmente, a biografia de Marlière, o notório militar francês que acabou se estabelecendo no Brasil.

Ocupante da cadeira de numero trinta desde outubro de 1960, Oiliam foi eleito para a Academia quando tinha apenas trinta e nove anos. Talvez tenha sido um dos membros que por mais tempo freqüentou a entidade. Seu falecimento, no mês passado, entristeceu seus numerosos amigos e admiradores, que celebram a sua memória hoje, 24 de março, às cinco da tarde, na tradicional ‘Sessão da Saudade’.

Longe de resumir-se a um momento de exaltação de suas virtudes pessoais, que eram muitas, a solenidade servirá, sobretudo, para divulgar a obra de Oiliam e a sua contribuição para o repertorio cultural de Minas e do Brasil. Lugar de produção do conhecimento, a Academia também valoriza a sua ampla difusão, seguida de reflexão critica e sofisticada, aberta, tolerante e plural. Essa é a sua missão, útil para a promoção da cidadania. Essa é a razão que motivou a sua fundação, por um grupo de doze jovens intelectuais, reunidos em Juiz de Fora, no começo do século vinte.

Por tudo isso, é uma alegria quando constato que a freqüência aos eventos da Academia tem sido cada vez maior. É uma satisfação encontrar lotado o Auditório Vivaldi Moreira, na Rua da Bahia. Que sejam todos muito bem vindos!