Maria José de Queiroz tinha apenas vinte e seis anos quando se tornou professora catedrática. Foi a mais jovem do Brasil. Sucedendo ao mestre Eduardo Frieiro, lecionou Literatura Hispano-Americana na UFMG. Sua vocação para o magistério a fez correr o mundo. Sua carreira internacional é longa e consistente, e inclui passagens por universidades européias (Sorbonne, Lille, Aix en Provence, Bordeaux, Bonn e Colônia) e norte americanas (Indiana, Berkeley e Harvard). Ainda hoje, Maria José divide seu tempo entre Paris, onde continua dando aulas, e o Rio de Janeiro. Com o tempo, suas vindas a Minas se tornaram menos freqüentes, deixando saudosos seus amigos, familiares e a legião de ex-alunos que ela ajudou a formar. A oportunidade do reencontro aconteceu anteontem, no Auditório Vivaldi Moreira, da Academia Mineira de Letras.

Maria José foi eleita para a cadeira de numero quarenta em 1968, na sucessão de Affonso Pena Junior. Com o falecimento do historiador Oiliam José, ela se tornou a decana da Casa de Alphonsus de Guimaraens. Nessa condição, foi saudada com carinho pelo público, em especial pela presidente Elizabeth Rennó, pelo Secretário de Estado da Cultura, Ângelo Oswaldo de Araujo Santos e pela professora Lyslei Nascimento, da Faculdade de Letras da UFMG, uma das mais importantes especialistas em sua obra. Na sessão, também foi exibido o excelente documentário produzido por Lesle Nascimento sobre Maria José de Queiroz. O ponto alto da noite, no entanto, foi dado pela própria homenageada, que disse poema de sua autoria, dedicado à dona Honória, sua mãe.

Senhora da palavra, Maria José começou a escrever para a imprensa em 1953. Colaborou com mais de uma dúzia de periódicos, entre os quais o famoso ‘Le Monde’, da França. Em 61, estreou como ensaísta, e em 73, como ficcionista. Entre seus livros, está  ‘A literatura encarcerada’, de 81, sobre a experiência dos escritores que produzem sua obra na prisão. ‘A literatura e o gozo impuro da comida’ veio em 94. ‘Os males da ausência ou a literatura do exílio’ chegou quatro anos depois. ‘Em nome da pobreza’ é de 2006.

Seu romance ‘Joaquina, a filha do Tiradentes’ ganhou, recentemente, uma versão para a televisão, conquistando grande popularidade. Também autora de livros infantis e de belíssima poesia, Maria José de Queiroz ainda incursionou pela memorialística. É de sua lavra ‘O livro de minha mãe’, lançado em 2014, que dá ao leitor a dimensão de sua grandeza humana e da beleza de sua história de vida.

Patrimônio da cultura de Minas Gerais e do Brasil, a obra de Maria José de Queiroz merece ampla divulgação. Não tenho duvida alguma de que ela vencerá os desafios do tempo e permanecerá, graças ao seu estilo elegante e ao seu conteúdo potente, capaz de capturar completamente o leitor.