Sede da Corte Imperial e da República até a inauguração de Brasília, em 1960, o Rio de Janeiro passa por momentos de grandes dificuldades políticas e econômicas, como todos sabem. Sua condição de capital nacional da cultura, no entanto, continua preservada. A produção musical, cinematográfica, teatral e televisiva do Brasil ainda está muito concentrada em terras cariocas, sendo responsável por atrair os profissionais mais qualificados do país. A cidade maravilhosa também abriga a Biblioteca Nacional, museus importantíssimos (entre os quais os recentes Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio, o MAR), o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Academia Brasileira de Letras. E tem mais.

Com vista deslumbrante para o oceano, a majestosa sede do Pen Clube do Brasil fica em um prédio da Praia do Flamengo. Foi doação de Cláudio de Souza, que fundou a entidade no país, em 1936. Apaixonado pelas Letras, esse médico paulista ficou famoso pelas dezenas de peças de teatro que escreveu e pelos numerosos artigos que publicou na imprensa, muitos dos quais em favor dos direitos das mulheres. Generoso servidor da cultura brasileira, foi responsável por tornar a seção nacional do Pen uma das mais ricas do mundo, no seu tempo. Com sua morte, assumiu a presidência da instituição o jornalista Barbosa Lima Sobrinho. A ele se seguiram, na função, entre outros, os jornalistas Celso Kelly, Elmano Cardim, a arqueóloga Maria Beltrão e o embaixador Geraldo Holanda Cavalcanti. Atualmente liderada pelo talentoso e competente Cláudio Aguiar, romancista, ensaísta e dramaturgo, a entidade continua a cumprir, com brilho, a missão que motivou a sua criação no Reino Unido, em 1921, por Catherine Amy Dawson Scott: defender a literatura e a liberdade de expressão.

Assustada com a Primeira Guerra Mundial, a escritora britânica decidiu que precisava tomar alguma iniciativa em favor do entendimento e da paz. Reunindo seus amigos no restaurante Florence, em Picadilly Circus, na região central de Londres, sugeriu a organização de uma espécie de ‘Liga das Nações’ de mulheres e homens de Letras. A idéia foi bem aceita e o Pen logo recebeu adesões importantes, como as de George Bernard Shaw e Joseph Conrad. Em poucos anos, espalhou-se pelo mundo. Hoje, é órgão consultivo da Unesco e conta com representações em mais de cento e quarenta países. Ao longo do tempo, ampliou sua atuação, especializando-se na defesa de escritores refugiados e perseguidos em seus países de origem, na promoção do trabalho das mulheres escritoras e na valorização da diversidade lingüística.

Avesso às academias, Carlos Drummond de Andrade não rejeitou o convite para pertencer à entidade, para a qual também foram eleitos sua filha, Maria Julieta, e outros mineiros, como Abgar Renault, Afonso Arinos, Maria José de Queiroz e Vivaldi Moreira. Conheça o trabalho do Pen: www.penclubedobrasil.org.br . Vale a pena!