Serei para sempre grato pela educação recebida no Colégio Loyola, dos Jesuítas, até hoje instalado na Avenida do Contorno, entre as ruas Sinval de Sá e Eduardo Porto, na Cidade Jardim. Na época em que lá estudei (por sete anos, entre 82 e 88), o que se propunha era uma convivência à luz de valores como a fraternidade, a tolerância e a inclusão. A diversidade (étnica, religiosa ou de orientação sexual, por exemplo) não ameaçava. Pelo contrário, era bem-vinda, vista como parte da riqueza humana e do inevitável processo de encontro respeitoso com o outro, chave para viver de modo adulto e equilibrado. Padre Nelson Lopes da Silva, então Diretor de Pastoral da escola, liderava os jovens no sentido de uma espiritualidade experimentada de modo consciente, maduro e aberto à pluralidade com que o mundo se apresenta. Os então chamados ‘dias de formação’, realizados na inesquecível Vila Fátima, em Justinópolis, na região metropolitana de Belo Horizonte, eram oportunidades para reflexões sofisticadas e profundas em torno de temas desafiadores, como a fé e a vida em sociedade. Nesse ambiente, era difícil haver espaço para atitudes preconceituosas. A ignorância era combatida pelo incentivo ao estudo e à leitura. O provincianismo era superado pelo convite ao pensamento complexo e cosmopolita.

 

Indecente ou imoral era a desigualdade social. No projeto ‘Missão Rural’, os alunos tinham a oportunidade de passar uma temporada hospedados nas casas de trabalhadores do campo, nas cercanias da capital, durante o mês de dezembro. Ao longo do período em que se dava tal relacionamento, o que mais se fortalecia, naturalmente, eram sentimentos como a solidariedade e a empatia. Voltávamos para nossos endereços de origem com uma visão de mundo bem mais ampla e generosa. No ‘Estágio Social’, os estudantes passavam uma manhã por semana em creches da periferia de Beagá, brincando com as crianças por elas atendidas, conhecendo uma realidade bem distinta da sua, algo fundamental para a formação humana de qualquer pessoa. As idas anuais a Itaici, no interior de São Paulo, eram momentos para celebrar a Semana Santa no âmbito da imensa comunidade de alunos dos Jesuítas espalhados pelo país. Como esquecer figuras como os padres Rigolin, Klein ou Contieri?

 

Indispensável, ainda, é a menção ao Grêmio Estudantil Loyola, que presidi no ano de 87, sucedendo ao querido amigo Bruno Vasconcelos (hoje juiz federal). A atuação dos estudantes em favor da democracia que se reestabelecia no Brasil e pela participação na vida da escola marcou época. Além de promover a Festa Junina, a Semana da Cultura e o Dia da Paz (8 de maio), também organizávamos palestras e debates, quando todos podiam se manifestar. Livremente.