O ano letivo já teve cento e oitenta dias. Hoje são vinte a mais. As férias encurtaram. Carlos só entrará em recesso escolar depois de 15 de dezembro. Quando eu era criança, o mês do Natal, janeiro e julho eram sinônimos de descanso e viagem. O tempo livre na infância era mais valorizado que atualmente, quando há quem crie filhos como se fossem pequenos executivos, sem uma hora vaga na agenda. Como se a vida valesse apenas pela produção e pelo trabalho. Como se o que importasse fosse a performance, o desempenho. Como se isso pudesse dar a medida do sucesso… Sinceramente não sei que futuro certos pais planejam para sua prole. Também tenho dificuldades em entender como alguns educadores não compreendem o significado das férias. Há instituições de ensino que ousam prescrever tarefas para os dias longe da escola, sem perceber a importância do ócio e da mudança de ares. Felizmente, não passei por isso. Lembro-me com saudade da meninice passada entre jogos e brincadeiras com os vizinhos e os primos, e das viagens ao interior de Minas, para visitar parentes.

Em Patrocínio, no Alto Paranaíba, revia os tios Rita e Olímpio, Lourdes e Leopoldo. Era fascinante circular de bicicleta pelas ruas da cidade, sem a preocupação com o tráfego. O Catiguá Tênis Clube oferecia diversão certa. Os passatempos mais tradicionais – como fazer bolas de sabão –  geravam um prazer único, pela liberdade com que se podia escolhê-los. Em Ervália, na Zona da Mata, a hospedagem acolhedora e generosa corria por conta dos tios Rosália e Simão, dono da loja mais requisitada, que vendia de tudo. Nada melhor que passar algumas horas acompanhando o movimento, conversando com os compradores, ajudando os balconistas em alguma atividade, aprendendo algo novo. As idas à fazenda, na área rural do município, completavam o passeio. Andar a cavalo e colher frutas do pé era algo delicioso, ainda mais porque impossível em Belo Horizonte, onde a rotina da vida em apartamento dificultava a convivência com a natureza. As comidas eram um atrativo à parte. Tia Rita servia o frango com quiabo e angu, a costelinha de porco com a couve bem rasgada e a mandioca frita. Tia Rosália caprichava nos doces, bolos e biscoitos, todos com nomes inesquecíveis: palha italiana, pão de ló, bolostroca, queca, sopa dourada…

 

Outras imagens vêm à tona quando me recordo das férias da infância. Meu pai gostava muito das estancias hidrominerais. Caxambu era um de seus destinos preferidos, com seu bem cuidado Parque das Águas e a fonte luminosa que tocava música à noite. Araxá me traz inúmeras boas memórias, como as imersões na piscina de água emanatória e os banhos nas Termas, entre os quais o de lama, o mais curioso. De São Lourenço também trago saudades: da sua gente hospitaleira e de sua ótima infra-estrutura. A terra de Eugênio Ferraz continua charmosa e com um atendimento ao turista cada vez mais profissional.

Em seus quase seis anos de existência, Carlos já provou que gosta de desbravar mares nunca dantes navegados. Sua irmãzinha, de pouco mais de um ano, vai pelo mesmo caminho…