Depois do recesso de fim de ano, a Academia Mineira de Letras reiniciará suas atividades no dia 15 de março, com palestra do Embaixador Sérgio Duarte sobre Dante e Petrarca. Além de leitor refinado, o diplomata é tradutor habilidoso, com diversos trabalhos realizados para a Editora Companhia das Letras. Inscreve-se na linhagem dos competentes tradutores que o Itamaraty deu ao Brasil, em que do mesmo modo se incluem Geraldo Holanda Cavalcanti e Jorio Dauster. Já no dia 22, Anelito de Oliveira falará sobre Alphonsus de Guimaraens, patrono da Casa, o mais importante nome do simbolismo brasileiro. Nada melhor que abrir o semestre com poesia.

Em 2018 a Academia celebrará os centenários de nascimento do crítico literário Antônio Cândido de Mello e Souza e do padre Fernando Bastos de Ávila, o jesuíta que fundou a Escola de Sociologia da PUC do Rio de Janeiro, tendo sido um dos intelectuais que mais se empenhou pelo reconhecimento da profissão de sociólogo no Brasil. Indicado pelo Papa João Paulo II para integrar a Comissão Pontifícia de Justiça e Paz, foi o fundador do IBRADES, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, órgão de assessoramento da CNBB. Em 97, elegeu-se para a vaga deixada por Dom Marcos Barbosa na Academia Brasileira de Letras (ABL). Falecido em Belo Horizonte em 2010, aos 92 anos, foi sucedido na Casa de Machado de Assis pelo professor Marco Lucchesi, seu atual presidente.

Os centenários de falecimento de Olavo Bilac e de Inglês de Souza merecerão sessões especiais. Este, injustamente esquecido, é considerado, ao lado de Aluisio de Azevedo (com “O Mulato” e “O Cortiço”), Júlio Ribeiro (com “A Carne”) e Adolfo Caminha (com “A Normalista”), um dos introdutores do naturalismo no Brasil, movimento fortemente influenciado por nomes como Eça de Queiroz e Emile Zola. Nascido no Pará, governou os estados do Espírito Santo e de Sergipe e, assim como Bilac, foi um dos fundadores da ABL. Os cem anos sem Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista negra do país, serão igualmente relembrados. Seu romance “Úrsula”, publicado em 1859, é tido como um dos primeiros escritos por uma mulher brasileira. Sua coletânea de poemas “Cantos à beira mar” é de 1871 e seu conto “A Escrava” é de 1887. Colaboradora de vários jornais, Maria Firmina também foi pioneira e ousada. Em 1880, no interior do Maranhão, teve a coragem suficiente para abrir uma escola gratuita e mista, reunindo meninos e meninas, um escândalo para a época.

Os cinquenta anos sem o grande poeta pernambucano Manuel Bandeira também ganharão o destaque devido. De origens parnasianas, o autor que estreou em 1917, com “A cinza das horas”, acabou se consagrando como uma das mais potentes vozes da poesia moderna no país. Cronista, tradutor e professor de Literaturas Hispano-Americanas na Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro, vários de seus versos ganharam impressionante popularidade, como os do poema publicado no livro “Libertinagem”, de 1930: “Vou-me embora pra Pasárgada/Lá sou amigo do rei/Lá tenho a mulher que eu quero/Na cama que escolherei (…) Em Pasárgada tem tudo/ É outra civilização/ Tem um processo seguro de impedir a concepção(…)”.