Arquivos literários” é a mais recente obra de Elizabeth Rennó, da Academia Mineira de Letras. O volume reúne os textos com os quais a ocupante da cadeira número vinte e um prefaciou mais de três dezenas de livros, o que demonstra o quanto é querida entre os escritores do estado, exercendo liderança natural, conquistada pelo mérito. Outra faceta da autora que emerge facilmente da leitura dos “Arquivos” é a da generosa promotora cultural, sempre pronta a incentivar representantes de várias gerações a trilhar o caminho das letras. Não é outro o intenso trabalho que Elizabeth tem feito ao longo da vida, havendo presidido a Academia Feminina Mineira de Letras e a Academia Municipalista de Letras (Amulmig), hoje comandada pelo incansável jornalista Cesar Vanucci, exemplo de vigor intelectual e integridade ética. Foi Elizabeth quem me saudou quando tomei posse nesta Casa de Letras, fundada em 1963 para congregar os municípios mineiros em torno da Literatura e da Língua Portuguesa.

Natural de Carmo de Minas, Elizabeth Rennó formou-se em Letras, especializando-se em Literatura Brasileira e, depois, concluindo o Mestrado na UFMG, com dissertação sobre a Poesia do acadêmico Ledo Ivo. Seu trabalho “A Aventura surrealista de Lêdo Ivo: Invenção e Descoberta” foi publicado como o volume onze da Coleção Afrânio Peixoto, da Academia Brasileira de Letras, em 1989, e oferece ao leitor uma arguta análise da produção do famoso alagoano. Elizabeth, por sua vez, também assina livros de poemas, entre os quais se destacam “Cantata em Dó Maior – Opus 5” e “Quatro Estações mais uma”. Na área da produção romanesca, o destaque vai para “Concha-lua”, premiado pela União Brasileira dos Escritores. Alguns de seus ensaios estão em “De Gil a João”, “Ronda Universal” e “Post-Scriptum”.

No preâmbulo de “Arquivos literários”, Elizabeth fornece sua visão do que é a Literatura: “(…) não representa um fenômeno isolado dos fatos da vida. O artista retira de sua experiência, através da liberdade criadora, a visão poética da realidade”. Mais adiante, na introdução a “Senhores e Senhoras das Artes”, da acadêmica Carmen Schneider Guimarães, ocupante da cadeira de número cinco, realça o poder da palavra: “Por ela, a comunicação torna-se realidade, as ideias concretizam-se, os sentimentos fazem aflorar os dons do espírito e da compreensão”. Na apresentação de “No céu da poesia”, de José Mauro Aguilar Rennó, escreve: “Poesia é música da linguagem, numa interpretação em que versos e acordes se complementam”. Também faz parte de seu livro o prefácio a “Plenitude Poética”, da acadêmica Yeda Prates Bernis, ocupante da cadeira de número seis. Sobre a obra da autora, Elizabeth destaca: “Yeda sabe decifrar o silencio, que, como o branco ou a saudade, é significante que mais vela do que mostra, na ausência do som, ou da cor, ou da presença”.

Eleita presidente da Casa de Alphonsus de Guimaraens em 2016, na sucessão de Olavo Romano, Elizabeth Rennó ainda entrará para a história como a primeira mulher a exercer tal cargo, nos mais de cem anos de história da instituição fundada em dezembro de 1909, em Juiz de Fora, por um grupo de doze intelectuais  idealistas.