A Academia Mineira de Letras realiza hoje, às cinco da tarde, mais uma de suas tradicionais ‘sessões da saudade’. Dessa vez, para celebrar a memória do acadêmico Francelino Pereira dos Santos, falecido em dezembro de 2017. A cerimônia é aberta ao público e tem entrada franca. Seu objetivo se alinha a uma das missões fundamentais da Casa de Alphonsus de Guimaraens: manter viva a história. A pesquisa sobre a cadeira que o ex-governador ocupava, a vinte e cinco, remete aos nomes de Augusto Franco, João Augusto Massena, Paulo Pinheiro Chagas e Aureliano Chaves.

Franco é o patrono da cadeira. Nascido ainda no século dezenove, em Barbacena, foi professor no antigo Liceu Santa Cruz, daquela cidade. Em Juiz de Fora, colaborou para vários jornais. Em Belo Horizonte, trabalhou no órgão oficial da imprensa do estado, o Minas Gerais. Atuou como redator no “Diário de Minas” e no “Vida de Minas”. Foi articulista do “Diário de Pernambuco”, do Recife, e do “Gazeta de Notícias”, do Rio de Janeiro. Ainda contribuía regularmente para os “Anais”, a revista literária dirigida por Olímpio de Araújo, também na então capital federal. Secretário particular do presidente de Minas, Francisco Sales, publicou onze livros, sobretudo de crônicas, contos, ensaios e críticas. É de sua autoria uma das mais importantes biografias de João Pinheiro, lançada em 1906.

Outro barbacenense, Massena é o fundador da cadeira. Nascido em 1865, teve vida longa, falecendo aos noventa e dois anos, em Niterói. Em Juiz de Fora, lecionou português, latim e francês. Mais tarde, deu aulas no renomado Colégio Grambery e na Escola de Odontologia e Farmácia, de que foi também diretor. Aos quarenta e quatro anos, participou do grupo responsável por criar a Academia Mineira de Letras, o que ocorreu em 25 de dezembro de 1909.

A sucessão de Massena se deu em 1958, com a eleição de Paulo Pinheiro Chagas. Nascido em Oliveira, em 1906, estudou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ainda como universitário, participou da Revolução de 30. Em 34, fundou o jornal “O Debate”, mesmo ano em que se elegeu deputado estadual constituinte. Em 43, assinou o “Manifesto dos Mineiros” contra o governo de Getúlio Vargas. Ajudou a fundar a UDN e, entre 49 e 51, foi diretor do jornal “Diário Carioca”, no Rio. Pelo PSD, em 50 elegeu-se deputado federal por Minas, sendo reeleito em 54, 58, 62 e 66. Foi o primeiro secretário de Segurança Pública do estado, no governo de Bias Fortes. Ministro da Saúde de João Goulart em 63, afastou-se da vida parlamentar em 73, quando integrou a diretoria da Fundação João Pinheiro. Morreu em abril de 83, em Belo Horizonte. É autor da indispensável biografia de Teófilo Otoni, ganhadora do Prêmio Joaquim Nabuco, da Academia Brasileira de Letras.

Depois de Pinheiro Chagas, foi a vez de Aureliano Chaves, que tomou posse na Academia em 86, sendo recebido por Hilton Rocha. Nascido em Três Pontas, em 1929, formou-se em engenharia elétrica e mecânica em Itajubá. Foi deputado estadual, secretário da Educação e de Obras Públicas, deputado federal, governador do estado e vice-presidente da República. Faleceu em Belo Horizonte em abril de 2003. No ano seguinte, já sob a presidência de Murilo Badaró, realizou-se a posse de Francelino Pereira dos Santos na cadeira vinte e cinco, cuja história continuará a ser escrita, pelos tempos que virão.