3 de abril, 19 horas

Rogério Faria Tavares

 

30 anos do BDMG Cultural

 

Boa noite a todos. Cumprimento o distinto público e os integrantes da mesa. Agradeço ao vereador Arnaldo Godoy a iniciativa da homenagem ora prestada ao BDMG Cultural, no ano em que ele completa três décadas de atuação em favor da Cultura e das Artes em Minas Gerais. Sou grato, ainda, a toda a equipe de seu gabinete, em especial a Célio Cruz. Sou grato, também, ao cerimonial da Câmara e a seus departamentos de comunicação e relações públicas, que trabalharam na organização da presente sessão. Dirijo, finalmente, uma palavra de agradecimento a toda a equipe do BDMG Cultural, aqui presente. Cumprimento o instrumentista Deangelo Silva, vencedor do Prêmio BDMG Instrumental no ano passado e que belamente executou o Hino Nacional Brasileiro e a composição “Bahia”, de sua autoria. Agradeço, finalmente, em especial, às crianças e jovens do coral Raio de Luz, regido pelo maestro Daniel Rezende Lopes, acompanhado pelo músico Marco Aurélio. O Raio de Luz é apoiado pelo BDMG Cultural desde 1998. Lá se vão 20 anos.

Cheguei ao BDMG Cultural em junho de 2017. Do governador Fernando Pimentel, do secretário Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, da Cultura, e do presidente do Banco, professor Marco Aurélio Crocco, recebi um generoso voto de confiança e um desafio: suceder ao jornalista e fraterno amigo João Paulo Cunha, hoje na Empresa Mineira de Comunicação. Na presidência do Instituto, João realizou trabalho memorável, digno de sua estatura intelectual. Dono de pensamento livre e independente e de uma visão humanista, corajosa e crítica, mais necessária que nunca no país em que vivemos hoje, João Paulo abriu importante frente de atuação no Instituto, agora também um respeitado núcleo de promoção da reflexão profunda e sofisticada em torno dos grandes temas da contemporaneidade. São provas disso a parceria com o filósofo Adauto Novaes, curador do Ciclo de Conferencias Mutações, anualmente sediado no BDMG Cultural, e a parceria com os professores Heloísa Starling e Leonardo Avritzer, da nossa gloriosa Universidade Federal de Minas Gerais, com quem realizamos todo ano os Ciclos de Conferências “Pensando a Democracia, a República e o Estado de Direito no Brasil” , que, aliás, reinicia suas atividades na segunda feira que vem, com palestra dos professores Conrado Hubner, Marjorie Correa Marona e Leonardo Avritzer. Muito obrigado, João Paulo, pelo que me legou.

Cheguei há pouco tempo mas não demorei muito a afeiçoar-me à Casa. O time que nela encontrei abriga profissionais sérios e apaixonados pelo que fazem. Os programas conduzidos pelo Instituto desfrutam de credibilidade junto aos mineiros, tanto pela excelência com que são executados, quanto pela sua consistência e longevidade.

Nossa Galeria de Arte abriu as portas em 88, apresentando ao público a produção de artistas consagrados e também das novas gerações, numa atitude inteiramente aberta e atenta ao contemporâneo e ao experimental.

O Coral do BDMG existe há 29 anos. Regido pelo maestro Arnon Oliveira, reúne funcionários do Banco e pessoas de fora dele, selecionadas pelo talento e pelo entusiasmo com que se dedicam ao canto. O grupo se apresenta regularmente em Belo Horizonte, circula pelo interior do estado e já cantou até fora do país. Gravou 2 CDs e 2 DVD’S.

O Prêmio BDMG Instrumental alcançou a maioridade. São 18 anos em 2018.

O Prêmio Marco Antônio Araújo faz quinze anos.

Os programas Jovem Musico e Jovem Instrumentista completam o elenco de ações dedicadas à Música Instrumental. O primeiro existe desde 2000 e o segundo desde 2002. O Dois na quinta, atualmente realizado no Teatro José Aparecido de Oliveira, da Biblioteca Publica  Estadual de Minas Gerais, é ação importante em favor da musica popular e existe desde 2015.

Também já tem 18 anos a relação com o projeto Raio de Luz, que, no âmbito das obras educativas Padre Giussani, oferece a crianças e jovens do Bairro Jardim Felicidade, em Belo Horizonte, a oportunidade de participar ativamente de atividades culturais.

O Trilha Cultural, que fomenta as artes cênicas no estado, foi criado em 2004. Por meio dele, tem sido possível levar o teatro, a dança e o circo a várias regiões do interior de Minas, muitas vezes carentes da presença desse tipo de manifestação cultural.

O Prêmio BDMG Cultural – Fundação Clóvis Salgado de estímulo ao curta metragem de baixo orçamento entra agora em sua quinta edição. Desde o primeiro ano, desempenhou papel fundamental na promoção do áudio visual feito em Minas. Por ele, já passaram jovens realizadores que hoje são reconhecidos no país inteiro.

O filho caçula dessa família é o Premio Flavio Henrique, criado em janeiro desse ano, para premiar o melhor CD de música cantada produzido no estado. A ele, desejo a mesma vida longa de que desfrutam os seus irmãos.

A verdade é que esse belo portfólio de atividades não se consolida da noite para o dia. É construção delicada, que exige dedicação, e é, sobretudo, prova do compromisso com a comunidade, reiterado por todos os gestores que passaram pela direção do Instituto: Silviano Cançado Azevedo, Fernando Oliveira de Sá Andrade, Cyro Siqueira, Mauro Santayanna, Marília Salgado, Jota Dângelo, Washington Melo e João Paulo Cunha, a quem faço mais uma referência. A todos eles sou extremamente grato. Agradeço os meus antecessores pela seriedade com que administraram o Instituto, levando adiante todos os projetos que encontraram.

Faço, ainda, nesse momento, menção especial a Carlos Alberto Teixeira de Oliveira que, na condição de presidente do BDMG, fundou o seu Instituto Cultural, em 1988, meses depois de a nova Constituição Federal estabelecer a Cultura como direito, em seu artigo 215. Sob a inspiração de Carlos Alberto, o BDMG Cultural iniciou suas atividades em grande estilo, financiando as obras de restauração do Colégio do Caraça, patrimônio da cultura e da história de Minas Gerais.

Outra referência indispensável é ao professor Marco Aurélio Crocco. Presidente do BDMG desde 2015, sua gestão tem sido responsável por reafirmar o compromisso do banco com o interesse público e a melhoria de vida dos cidadãos mineiros, entre eles os habitantes das regiões mais carentes do estado e daquelas que foram vítimas de terríveis crimes ambientais, como Mariana. Sintonizada com o mundo e respaldada pelo Conselho de Administração do Banco, presidido pelo secretário Helvécio Magalhães, a atuação do presidente Crocco também tem estruturado notáveis iniciativas no campo da economia verde, da sustentabilidade, dos negócios agrícolas e da economia criativa. Aqui, cabe menção especial a toda a equipe que trabalhou na estruturação do Minas Criativa, que oferece crédito diferenciado aos integrantes dessa cadeia produtiva. Mais um destaque de sua administração é a criação do Grupo Pró Equidade, que encarou, com destemor, a tarefa de combater todas as formas de discriminação e preconceito no ambiente corporativo, dando voz e vez a segmentos antes preteridos. É de gestos nessa direção que o Brasil precisa. Não é possível mais suportar o clima de ódio e intolerância que tomou conta da convivência social nos últimos anos. Saber respeitar as diferenças é fundamental para o avanço da nossa cidadania.

Pois bem. Graças ao firme e decidido apoio do presidente Crocco às atividades do BDMG Cultural, conseguimos atravessar, com bravura, os tempos adversos da economia. A palavra – e a prática – do presidente Crocco são muito claras: Cultura é fator de desenvolvimento econômico e social e assim deve ser entendida.

É o que tenho procurado fazer, desde a minha posse. Em 2018, vamos investir ainda mais na realização da missão do BDMG Cultural. Em parceria com a Faculdade de Arquitetura da UFMG, realizaremos, no começo do mês de maio, o Seminário Internacional Terra Comum, dedicado a refletir sobre o tema da propriedade, em todas as suas formas possíveis. No mesmo mês, faremos um importante Seminário dedicado a Minas Gerais, sob a curadoria do professor Caio Boschi. O evento reunirá dez importantes conferencistas e dele sairá livro de referência, a ser publicado em dezembro. Outras publicações também previstas para esse ano são as biografias dos professores Francisco Iglésias e Sonia Viegas, da UFMG, e do jornalista Wander Piroli. Em dezembro, lançaremos o livro sobre a história dos 30 anos do BDMG Cultural.

Para finalizar, compartilho com os amigos presentes uma convicção: não há povo emancipado sem o devido acesso à Cultura. Não é possível prosperar de verdade sem o exercício efetivo do direito à Cultura. Um povo forte tem cultura forte. Dessa tarefa, o Estado não pode se ausentar. Ela é importante e estratégica demais para ser deixada exclusivamente nas mãos da iniciativa privada, regida pelos humores do mercado. Não conheço um só país do chamado primeiro mundo que não conceda aos assuntos culturais o status de interesse público. É preciso constituir e executar políticas públicas que garantam, de fato, o encontro entre a Cultura e o Povo. É para isso que trabalhamos todos os dias, há trinta anos, no BDMG Cultural.

Muito obrigado.