Toma posse no próximo dia 13 de abril (sexta que vem), na cadeira de número trinta da Academia Mineira de Letras (AML), o professor Caio César Boschi, um dos mais importantes historiadores brasileiros. Ele ocupará a vaga deixada por outro historiador: Oiliam José, até então o decano da Casa de Alphonsus de Guimaraens, falecido em fevereiro de 2017 aos noventa e seis anos. Antes mesmo de ingressar formalmente nos quadros da entidade, Caio já começou a contribuir, com sua vasta experiência, para com os trabalhos que ela desenvolve. Ao lado do acadêmico Amílcar Martins Filho, tem ajudado a modernizar a gestão do impressionante acervo bibliográfico e documental da AML, o que resultará em numerosos benefícios para a comunidade dos pesquisadores mineiros, sobretudo os que se dedicam à Língua Portuguesa e à Literatura Brasileira.

 

Nascido em Belo Horizonte, de tradicional família italiana (seu pai era o dono da lendária padaria Boschi, no centro da capital), Caio estudou no Colégio Municipal, onde teve aulas com o professor Amaro Xisto de Queiroz. Formado em História pela Universidade Federal de Minas Gerais, logo começou a lecionar na PUC Minas e na própria UFMG, chegando, mais tarde, a professor titular das duas instituições. Na Católica, ainda foi pró -reitor de Pesquisa e Pós Graduação e Decano da Reitoria. Na presidência da Associação Nacional dos Professores Universitários de História, mobilizou a categoria em defesa de suas prerrogativas e contra a equivocada criação e proliferação dos cursos superiores de Estudos Sociais, hoje extintos. Doutor em História pela USP, defendeu famosa tese sobre as irmandades leigas e a política colonizadora em Minas Gerais. Lançada em livro, foi considerada uma das melhores publicações na área de História do país na década de oitenta. Outros livros de Caio também merecem leitura atenta: “O Barroco mineiro: artes e trabalho” (1988), “Por que estudar História?” (2007) e “Exercícios de Pesquisa Histórica” (2011), premiado pela Academia Brasileira de Letras.

 

Na Europa, Caio Boschi foi professor de História do Brasil em universidades da França (Paris), da Espanha (Salamanca) e de Portugal (Lisboa e Porto), país com o qual, ao longo de várias décadas, estabeleceu fortes vínculos de amizade e de cooperação acadêmica. Tal trajetória incluiu intermináveis horas dedicadas a levantar, exaustivamente, a documentação sobre Minas Gerais existente nos arquivos portugueses. Esse interesse de Caio acabou gerando obras imprescindíveis aos estudiosos das relações entre Brasil e Portugal: “O Brasil Colônia nos arquivos históricos de Portugal: roteiro sumário” e “Fontes primárias para a história de Minas Gerais em Portugal”, esta editada em 1979 sob os auspícios do Conselho Estadual de Cultura, com direito a prefácio do saudoso professor Aires da Mata Machado Filho. Foi o trabalho de Caio que, afinal, deu origem ao projeto Resgate, do Ministério da Cultura, responsável por recuperar a documentação sobre os estados brasileiros em Portugal. São também de sua autoria valiosos estudos lançados pela Coleção Mineiriana, da Fundação João Pinheiro. Seja bem-vindo à Academia, Caio!