Parte das comemorações dos trinta anos do BDMG Cultural, o Seminário “Minas e seus caminhos” começou ontem, dia 17, no auditório do Banco, à Rua Bernardo Guimarães, no bairro de Lourdes. Com curadoria do professor Caio Boschi, da Academia Mineira de Letras, o evento prossegue durante toda essa sexta-feira, começando às nove da manhã e indo até às seis da tarde. Com entrada franca, sem necessidade de inscrição prévia, emite certificado de participação para os estudantes que dele precisarem.

Pensado como uma oportunidade para reunir alguns dos melhores estudiosos sobre Minas Gerais, o encontro estabeleceu dez temas principais, cinco dos quais já tratados na quinta-feira. Na conferência de abertura, o jornalista João Paulo Cunha abordou a questão da identidade do mineiro, principiando por mencionar livros clássicos a esse respeito, como o “Vozes de Minas”, de Alceu Amoroso Lima. Outros autores que escreveram sobre o assunto também foram citados, como João Camilo de Oliveira Torres e Sílvio de Vasconcelos. Em seus comentários, João relembrou que o termo ‘mineiridade’, até hoje largamente utilizado, teria sido pronunciado pela primeira vez não por um mineiro, mas por um pernambucano, o sociólogo Gilberto Freyre, na palestra “Ordem, Liberdade, Mineiridade”, por ele proferida na Faculdade de Direito da UFMG em 16 de julho de 1946. Na sequência, João Paulo propôs a memória, a amizade e a preocupação filosófica e metafísica como chaves para compreender os traços distintivos dos mineiros. Entre os nomes mencionados, destacou Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e Pedro Nava como alguns dos que mais trabalharam o campo da memória entre nós. A série “Boitempo”, do poeta itabirano, mereceu aguda análise, assim como “A Idade do Serrote”, do escritor de Juiz de Fora, e “Baú de Ossos” e “Balão Cativo”, do médico juiz-forano. Para falar da amizade como elemento fundamental para o entendimento da alma mineira, João escolheu a obra de Milton Nascimento e do Clube da Esquina. Quando, finalmente, tratou do terceiro ponto (a preocupação filosófica e metafísica) elegeu como paradigmática a figura da professora Sônia Viegas, da UFMG, filósofa falecida aos quarenta e cinco anos, sem esquecer de seu professor, o Padre Henrique Cláudio de Lima Vaz.

Na palestra seguinte, o professor Otávio Soares Dulci abordou o ponto “Minas e a política: permanências e mudanças”, traçando um quadro histórico da cena política no estado desde a Colônia até a atualidade, passando pelo Império e pela República Velha. No turno da tarde, o professor Paulo Haddad, ex- ministro da Fazenda e do Planejamento, falou sobre a economia de Minas Gerais, com o seu conhecido rigor e capacidade de comunicação. A professora Berenice Menegale falou sobre a história da Música e, para fechar o dia, o professor Mario Rodarte focalizou o tema da demografia.

Nessa sexta, o dia começa com o professor Roberto Monte-Mor falando sobre a urbanização mineira e o professor Maurício Campomori abordando a arquitetura. À tarde, o professor Arno Wehling, da Academia Brasileira de Letras, fala sobre a História de Minas; o professor Márcio Sampaio faz palestra sobre a história da Arte e a professora Letícia Malard fecha o ciclo, pronunciando-se sobre a Literatura produzida nas Minas Gerais.