Boa tarde a todos. Muito obrigado pela presença. É um prazer recebê-los aqui no BDMG Cultural, no ano em que o instituto comemora seus trinta anos. Ele foi fundado em 88 com a tarefa de promover a cultura e as artes em Minas Gerais. Ao longo do tempo, soube erguer uma reputação de consistência, credibilidade e seriedade, tanto na concepção e na execução de seus projetos e programas, quanto na relação com os artistas mineiros, com os quais mantém uma relação profissional e extremamente respeitosa.

A partir de 2015, sob a gestão do governador Fernando Pimentel e do presidente do BDMG, professor Marco Aurélio Crocco, o BDMG Cultural fortaleceu e aprofundou seu compromisso com a cultura produzida no estado e com a classe artística. Para nós, cultura é motor do desenvolvimento econômico e fator de inclusão social. Não é possível pensar e promover a melhoria do padrão de vida de um povo se não se respeitar e incentivar os seus meios de expressão artística e cultural, alicerces de sua identidade. É o que temos feito.

Aos nossos programas tradicionais – e todos eles continuam a ocorrer – também acrescentamos ciclos de debates e conferencias, por meio dos quais é possível refinar o pensamento e a reflexão, sobretudo num momento tão desafiador como o atual.

Também quero registrar que, para o ano do aniversário, faremos várias ações culturais, todas elas gratuitas e abertas ao público, como sempre. Peço que acompanhem a nossa programação pelo site do Instituto e por nossas redes sociais.

Pois bem. Agora vamos falar de música, como prometido. Minha tarefa é lançar, hoje, três editais. Vamos lá.

O Prêmio BDMG Instrumental completa dezoito anos agora. Atinge a maioridade. Ao longo de sua trajetória, revelou nomes importantes da música instrumental brasileira, contribuindo para reconhecer, valorizar e divulgar em todo o país o melhor da produção mineira. Nesse ano, o valor a ser concedido aos quatro vencedores passa de dez para doze mil reais. A parceria com o Sesc continua. E os premiados farão, como sempre, show no Centro Cultural Banco do Brasil e no programa Instrumental Sesc Brasil, em São Paulo.

Já o Prêmio Marco Antônio Araújo foi criado em 2003 para reconhecer os talentos da música instrumental de Minas Gerais e para homenagear um de seus maiores expoentes, cuja memória, então, celebramos todos os anos.

Marco Antônio Araújo nasceu em agosto de 1949 em Belo Horizonte. Em 68, entrou para uma banda chamada “Vox Populi”, quando chegou a gravar um compacto pelo selo Bemol. Depois de morar algum tempo na Inglaterra, voltou ao Brasil, onde estudou composição musical com Beatriz Scliar, Violão Clássico com Léo Soares e violoncelo com Eugen Ranewsky e Jacques Morelenbaun. Compôs trilhas sonoras para o grupo de dança Corpo. Em 1977, por concurso, ingressou na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. Paralelamente a essa atividade, começou a fazer shows com produção independente. Entre 78 e 79, apresentou os espetáculos Fantasia e Devaneios. Um ano depois, lançou o disco Influencias, pelo selo que ele mesmo criou: Strawberry Fields. No disco, unia o popular e o erudito. Com ele, fez mais de setenta shows pelo país. Em 82, lançou seu segundo disco independente: “Quando a sorte te solta um cisne na noite”, trabalho que o levou, por meio do projeto Acorde Minas, a mais de quarenta cidades. Em 83, lançou “Entre um silencio e outro”, com capa do artista plástico Scliar. Em 84, saiu a coletânea Animal Racional. Em 85, lançou o seu quarto disco, “Lucas”, batizado em homenagem ao seu segundo filho. Nesse ano, Marco Antonio Araujo se integrou ao grupo Mantra. O musico faleceu em janeiro de 1986, aos trinta e seis anos, quando acabara de ser eleito o melhor instrumentista do ano por grande revista de circulação nacional.

Desde a sua criação, o Premio Marco Antonio Araujo foi entregue, e cito por ordem cronológica, a: Juarez Moreira, Enéias Xavier, Magno Alexandre, Cleber Alves, Esdra Ferreira e Mauro Rodrigues, Celso Moreira, Warley Henrique, Grupo Ramo, Thiago Delegado, André Limão Queiroz, Rafael Martini, Pablo Passini, Senta a Pua Gafieira, Fred Selva e Aloisio Horta.

A novidade é que, a partir dessa edição, o valor do Prêmio passa de quatro para dez mil reais, o que reitera e reforça o compromisso do BDMG Cultural com a música instrumental e seus artistas.

Nesse ano, para contemplar a música popular e o trabalho de excelente qualidade feito pelos compositores e cantores mineiros, decidi criar o Premio Flavio Henrique, que vai reconhecer o melhor CD autoral, de canção brasileira e independente, de músicos mineiros ou residentes em Minas Gerais. Para tal premiação, o valor concedido também será de dez mil reais.

Esse prêmio homenageia o compositor e cantor Flavio Henrique Alves de Oliveira, nascido em Belo Horizonte em julho de 1968. Filho de Cícero e Delza, professora de música formada no Conservatório, cresceu em ambiente favorável às artes. Tinha por volta de quatorze anos, quando viveu Momento determinante de sua formação musical, segundo ele mesmo gostava de contar: o primeiro contato com a obra de Toninho Horta. Ficou fascinado com o que chamava de disco branco. Retirou do armário os instrumentos musicais da família e resolveu aprender a tocá-los. Autodidata, dominou o violão, o cavaquinho e o piano. Mais tarde, no colégio, fez amizade com o colega que foi seu primeiro grande parceiro, Robertinho Brant. Ao lado dele e de outros nomes como André Limão Queiroz e Serginho Silva, formou o Grupo Candeias, que existiu entre 83 e 85. Em 95, pela gravadora Velas, lançou o seu primeiro CD, “Primeiras Estórias”, com participação especial de Titane. Em 97, lançou o CD “Flávio Henrique e Marina Machado”. Em 99, produziu, com Chico Amaral, o disco Baile de Pulgas, de Marina Machado. No ano 2000, viria “Aos olhos de Guignard”, com o Trio Amaranto e Marina Machado interpretando canções de Flavio Henrique, que nele atuou como instrumentista. Em 2002, chegou “Livramento”, com Chico Amaral e as participações especiais de Milton Nascimento, Ed Motta e Marina Machado. Em 2004, lançou Presépio Encantado, em que atuou como compositor e arranjador. Sol a girar é de 2006. O DVD Hotel Maravilhoso também. O Pássaro Pencil é de 2008. O último álbum de sua carreira solo é Zelig, de 2012, mesmo ano em que, Com Mariana Nunes, Pedro Morais e Cadu Viana, formou o grupo Cobra Coral, com o qual lançou dois discos.

Também é preciso destacar a participação de Flavio no ressurgimento do Carnaval de Belo Horizonte. São de sua autoria marchinhas carnavalescas que fizeram história pelo humor e pela coragem crítica, na melhor tradição do gênero no país.

Tão importante, no entanto, quanto sua carreira como cantor e compositor foi a atuação de Flavio como produtor e, como ele mesmo gostava de dizer, curador. Flavio descobriu, encorajou e ajudou, com sua generosidade típica, vários nomes das novas gerações. Além disso, como diretor da Rádio Inconfidência e presidente da Empresa Mineira de Comunicação, construiu, corajosamente, os alicerces do sistema público de comunicação com que contamos hoje em Minas. Quem é espectador da tevê ou ouvinte da rádio percebe claramente, agora, o predomínio do interesse público na programação executada pelas emissoras.

Por tudo isso, temos a certeza da justiça dessa homenagem.

Que ela perenize o legado de Flavio, fundamental para a compreensão de pelo menos três décadas da história da música em Minas Gerais.

Muito obrigado a todos.