A paixão pela História levou Maria de Lourdes Costa Dias Reis a formar-se na arte e na ciência de Clio. A seriedade com que se conduziu ao longo do curso comprovou o seu compromisso com o ofício do historiador, que exige método, disciplina e paixão. Observadora atenta e pesquisadora entusiasmada, Dias Reis não teve dificuldade em construir importante carreira docente, prova de seu desejo de compartilhar com os demais os conhecimentos obtidos em seus estudos. Generosa, publicou em livro o resultado de suas investigações sobre a imprensa na Guerra do Paraguai, tema da dissertação de Mestrado que defendeu na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sob a orientação segura do professor doutor Earle Diniz Macarthy Moreira. “Imprensa em tempo de guerra: o jornal ‘O Jequitinhonha’ e a Guerra do Paraguai” foi lançado originalmente em 2003 e reeditado seguidas vezes, graças à relevância do tema e à excelência do tratamento a ele conferido.

Como se não bastasse sua atuação nos campos da História e do Magistério e sua impressionante vida associativa (pertence ao Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e à Academia Feminina de Letras), Dias Reis também enveredou pelo Jornalismo, em que se graduou com a competência conhecida, complementando sua rica formação com as valiosas técnicas ensinadas na Faculdade de Comunicação Social. Útil a todo aquele que se dedica à divulgação cultural, o repertório do jornalista aproxima o intelectual do leitor comum, que prefere informações precisas e diretas. Incorporada ao estilo elegante da autora, a capacidade de verter para o grande público conteúdos nem sempre tratados com a clareza necessária pela maioria dos intelectuais é uma das principais qualidades de “As negras batinas da conjura de Minas”.

Em todas as páginas da presente obra, Dias Reis dá provas de seu perfeito domínio sobre a bibliografia relativa ao tema, dela extraindo o suco mais saboroso e a partir dela costurando tecido novo. O livro resgata o trabalho dos grandes especialistas na Inconfidência Mineira de modo a trazê-lo de novo à luz, bela reverência que a autora presta aos que a antecederam. Nada melhor que revisitar Augusto de Lima Junior, Eduardo Frieiro, José Crux Rodrigues Vieira e Maria Efigênia Lage de Resende pelos caminhos reabertos por Dias Reis.

Tenho a certeza de que o leitor gostará da viagem que está prestes a fazer. Que Dias Reis nos brinde, no futuro, com outros presentes do mesmo requinte.