Na noite dessa sexta, dia 24, às 19:30 horas, a Academia Mineira de Letras fará sessão especial no auditório de sua sede (Rua da Bahia, 1466) sobre o legado deixado pelo terceiro ocupante da cadeira de número vinte e um, o professor Hilton Rocha, falecido há vinte e cinco anos. Com entrada franca e aberta ao público, a solenidade contará com oradores do Conselho Regional de Medicina, da Associação Médica de Minas Gerais, da Academia Mineira de Medicina, do Centro de Memória da Medicina da UFMG (que preserva parte do acervo do acadêmico) e da UNIMED-BH (uma das benfeitoras da Academia). Seus numerosos ex-alunos serão representados pelo dr. Astênio César Fernandes, da Academia Paraibana de Letras, que virá de João Pessoa, onde reside, especialmente para o evento. Em nome dos filhos (que eram nove), falará o dr. Ricardo Rocha.

Tendo como patrono Fernando de Alencar, a referida cadeira foi fundada por seu filho, Gilberto de Alencar, que teve como sucessores Nelson de Faria e Oscar Negrão de Lima, a quem Hilton Rocha sucedeu. Eleito em 71, o médico tomou posse no ano seguinte, sendo recebido por Vivaldi Moreira. Na Casa de Alphonsus de Guimaraens, ele permaneceu até 93, sendo sucedido pelo jurista Caio Mário da Silva Pereira e, depois, por Elizabeth Rennó, atual presidente da Academia (a primeira mulher a ocupar o posto desde a fundação da entidade, em 1909). Autor de “Acertos e Desacertos da Reforma Universitária”, de 1979, de “Ensaio sobre a Problemática da Cegueira” e de “Páginas esparsas”, publicado em três volumes, e de numerosos trabalhos científicos, em seu discurso de posse, entre outras coisas, Hilton Rocha relembrou os nomes dos vários médicos que amaram as Letras e a elas se dedicaram: Joaquim Manuel de Macedo (autor de “A moreninha”), Manuel Antônio de Almeida (autor de “Memórias de um sargento de milícias”), Miguel Couto, Oscar Freire, Miguel Pereira, Antonio Austregésilo, Peregrino Junior, Afrânio Peixoto, e os mineiros Guimarães Rosa, Mário Mendes Campos (pai do genial cronista Paulo Mendes Campos), Paulo Pinheiro Chagas e Agripa Vasconcellos, os três últimos igualmente membros da Academia, assim como Juscelino Kubitscheck de Oliveira, médico e político, derrotado pelo escritor goiano Bernardo Elis em eleição da Academia Brasileira de Letras mas consagrado na Mineira, onde tomou posse em 1975.

Nascido em Cambuquira, no sul do estado, em 1911, Hilton Rocha estudou inicialmente em colégio do Rio de Janeiro. Mudando-se para Belo Horizonte com a família, em 1921, formou-se em Medicina em 1933, pela antiga Universidade de Minas Gerais, hoje a UFMG, onde seria, mais tarde, professor catedrático. Especializando-se em Oftalmologia, atuou no Hospital São Geraldo, antes de criar o seu próprio instituto, onde trabalhou até o fim da vida. Presidente da Associação Médica Brasileira e Membro da Academia Nacional de Medicina, também ergueu a Fundação Hilton Rocha, onde atendeu a milhares de pessoas que não podiam custear o seu tratamento. Como jornalista, não posso omitir uma das iniciativas mais importantes do acadêmico: a “Imprensa em Braille”, a terceira do Brasil, projeto responsável por democratizar a informação para as pessoas com necessidades especiais.