Faço minha caminhada matinal, com alguma frequência, ao longo da Avenida Prudente de Moraes. O trajeto é plano, as lojas são bem cuidadas e exibem produtos interessantes. O que seria apenas um exercício físico vira um passeio. Agrada-me especialmente passar em frente à Excalibook, uma livraria de rua (algo tão raro hoje em dia), na altura do número seiscentos. Dá alguma esperança saber que ainda tem gente apostando na leitura e no livro. E na cultura, que é o que se pode ver também no Diadorim, um armazém charmosíssimo que fica na esquina com a rua Joaquim Murtinho. O lugar é cheio de curiosidades, sobretudo do interior de Minas. Vende coisas que só vi quando visitei as vendinhas das cidades pequenas, além de publicações sobre a arte e a natureza do estado. E quitutes sedutores…  Num domingo desses, terminei fisgado por um pote de mingau de milho verde vindo diretamente de Carmópolis de Minas. Uma delícia! (afinal, quem gasta energia tem que repor…) Quem recebe a todos, com simpatia e  elegância, é a proprietária do estabelecimento, Natalie Oliffson, filha de franceses, especialista, também, em moda. Vale a visita.

Nos últimos dias, resolvi variar. A caminhada tem começado ainda mais cedo. Deixo a casa sem fazer barulho e sigo direto para a Padaria Santo Agostinho, na Dias Adorno com Martim de Carvalho, onde peço um sanduíche de pão francês com queijo canastra e um café bem quente. Em frente à banca de revista que, por anos, pertenceu ao ex-deputado Wilson Modesto Ribeiro, o local é bem movimentado e atende os clientes com cortesia. Depois do lanche, percorro a Praça Carlos Chagas, popularmente conhecida como Praça da Assembleia. Mesmo antes das seis e meia da manhã, já há muita gente caminhando. Algumas chegam até a levar seus cachorros. Grupos de corrida, supervisionados por um professor rigoroso, treinam disciplinadamente. A prática não se limita a correr. Há exercícios com pesos, flexões… dá gosto ver uma animação como essa logo de manhazinha. Os alunos do Colégio Pandiá Calógeras, em boa hora reformado pelo Governo do Estado, esperam as aulas se entretendo nos brinquedos da Praça, perto da Igreja de Fátima, onde por anos atuou o saudoso Padre Carlos, com quem meu pai discutia sobre Teologia e Filosofia.

Sim, foi provavelmente com meu pai que adquiri o hábito das caminhadas. Ele gostava de andar pelo Parque Municipal. Arranjava sempre um companheiro e por lá ficava mais de uma hora, em marcha célere, ajudando o seu coração a trabalhar direito. Depois de um tempo, transferiu-se para a Praça da Liberdade, onde era possível vê-lo com os amigos da vida toda, como Catulino Novaes, Miguel Cialdini ou Carlos Eloy. Além de uma taça de vinho tinto na hora do almoço, quando também ingeria sua sagrada porção de alho puro, caminhar era um dos investimentos mais firmes que fazia em favor de sua saúde. Funcionou, já que faleceu bem idoso para alguém de sua geração. Como também pretendo continuar por aqui ainda por um tempo razoável (pelo menos até ver Carlos e Gabriela criados), resolvi seguir a receita paterna, que é simples, fácil e barata (além de ser muito útil para quem se mete a escrever crônicas…) E você, gosta de bater perna?