O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) foi fundado em 1838, durante a regência de Araújo Lima, para coligir, metodizar, publicar ou arquivar os documentos necessários ao entendimento da História e da Geografia do Brasil. Hoje prestes a completar cento e oitenta anos, é possível dizer que a chamada “Casa da Memória Nacional” foi muito além, sendo capaz de promover o debate, a crítica e a reflexão sobre diversos temas no âmbito das Ciências Sociais, em ambiente sofisticado e plural, aberto a todas as escolas de pensamento, como é de praxe nas instituições favoráveis à elevação da inteligência humana. Sua revista é a mais antiga do Ocidente em circulação ininterrupta. Seu arquivo e sua biblioteca reúnem acervos preciosos. Seu museu é valioso e guarda conjunto expressivo de peças representativas das artes e do mobiliário brasileiro, sobretudo do século dezenove. Seu Centro de Estudos e Pesquisas Históricas, o CEPHAS, fundado em 1962 sob inspiração de Marcos Carneiro de Mendonça, realiza semanalmente sessões gratuitas e abertas ao público, quando toda a comunidade pode assistir a conferências interessantíssimas sobre assuntos variados. Para quem não mora no Rio de Janeiro e, portanto, não tem como acompanhar mais de perto tudo o que o Instituto oferece, uma opção é acessar o seu site na internet, que está bem completo e atualizado, sendo de fácil e agradável navegação.

Presidido desde 1996 pelo competente professor Arno Wehling, também membro da Academia Brasileira de Letras, o IHGB é patrimônio da cultura brasileira e de sua história. Entre seus ex-presidentes estão nomes como Cândido José de Araújo Vianna (o Marques de Sapucaí, mineiro de Nova Lima), o Barão do Rio Branco, o Embaixador Macedo Soares, Pedro Calmon, Américo Jacobina Lacombe e Vicente Tapajós. Seus quadros sociais são mais uma prova de seu apego à qualidade, já que integrados pelos mais expressivos intelectuais do país.

Entre seus sócios, figuram os mineiros José Murilo de Carvalho, Antônio Celso Alves Pereira, Angelo Oswaldo de Araujo Santos, Caio Boschi, Maria Luíza Penna Moreira, Maria Efigênia Lage de Resende, Júnia Ferreira Furtado e Eugênio Ferraz, além do Padre José Carlos Brandi Aleixo e do Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho. Também integram a instituição nomes como Cândido Mendes de Almeida (irmão do saudoso Dom Luciano, arcebispo de Mariana), Marcus Azambuja, Luiz Felipe de Seixas Correa, Arnaldo Niskier, Mary del Priore, Marcílio Marques Moreira e Alberto da Costa e Silva, o mais importante africanista do país. Destaco, ainda, dois que já não estão mais entre nós: o Almirante Hélio Leôncio Martins e o professor José Pedro Pinto Esposel. Hélio faleceu aos mais de cem anos, em julho de 2016. Foi um dos pioneiros da Hidrografia no Brasil e o comandante do primeiro porta aviões brasileiro, o Minas Gerais. Autor de vários livros sobre a História Naval Brasileira, tratou de matérias complexas, como a Revolta da Armada, de 1893, e a Revolta dos Marinheiros, de 1910. Esposel morreu no último dia dois de julho. Pioneiro da Arquivologia no Brasil, foi o responsável por fundar os primeiros cursos universitários especializados na disciplina, em nosso país. Deixaram, ambos, belo legado, que merece ser conhecido e divulgado.