Gabriela está no Rio de Janeiro desde quinta-feira passada, com a mamãe e a vovó. Com um ano e oito meses, é a segunda vez que visita a ‘cidade maravilhosa’, por conta dos cursos de aperfeiçoamento em ‘body talk’ que minha mulher frequenta, periodicamente, na antiga capital do Brasil. Agora, já crescidinha, foi levada a Ipanema, para conhecer o mar. Incomodou-se um pouco com a areia, mas gostou da experiência, ainda que algumas ondas a tenham surpreendido. No dia seguinte, animada, esteve no aquário, onde também passou bons momentos.

Carlos teve seu primeiro contato com o oceano em Aracaju, Sergipe, de onde é a família de Julia, mulher de meu irmão. Adorou. Agia como se tivesse nascido em uma aldeia de pescadores, tamanha a familiaridade com a água salgada. Tive outra confirmação disso quando Sabrina e eu o levamos a João Pessoa, na Paraíba, e com ele circulamos, entre outras, pela praia de Tambaba, que merece a visita de todos os que cultivam uma mente cosmopolita, aberta, sintonizada com o mundo e o século vinte e um. Meu primogênito se divertiu muito naquele belíssimo lugar.

Em Tambaba, todos seguem, sem qualquer problema e em clima de grande maturidade, a ética proposta pelo naturismo, que se espalhou pelo planeta a partir dos anos cinquenta do século vinte. Surgido na Alemanha, tem regras próprias, defende o auto respeito, o respeito pelo outro e pelo meio ambiente, uma maior aproximação entre o homem e a natureza e uma alimentação mais saudável. Ali, lembrei-me do passeio às famosas Ilhas Cies, próximas a Vigo, na Galícia, ao norte da Espanha, outro núcleo importante do naturismo, movimento que também contribui, com os valores que difunde, para que as pessoas tenham uma relação mais tranquila e mais feliz com o próprio corpo, algo que é tão difícil na sociedade atual, violentamente assediada pelos interesses do mercado e da mídia.

Em nome do que definiu como beleza, o mundo do consumo, da publicidade e da propaganda muitas vezes quer impor padrões que agridem justamente a beleza espontânea e profunda que cada um traz consigo. O resultado dessa ação sobre alguns, sobretudo os jovens, pode ser desastroso. Há os que farão de tudo para adequar-se às modas, às últimas tendências, ‘ao que está bombando’, desde tomar remédios e fazer dietas até submeter-se a cirurgias, ainda que não sejam assim tão inofensivas… Há os que se intimidarão diante de tanta exigência e que cairão prostrados, em tédio ou depressão profunda, incapazes de adequar-se ao que a eles é demandado…

Os mais espertos (ou mais sortudos, ou mais abençoados…) se esquivarão e levarão uma vida talvez mais descomplicada, mais despojada, menos comandada pela opinião alheia e pelas pressões externas, tão eficientes em produzir medo, angústia e infelicidade. E terão, provavelmente, mais tempo (e liberdade) para aproveitar uma bela manhã de sol, ou uma tarde agradável de outono, seja nas Ilhas Cies, seja em Tambaba, seja no Rio de Janeiro. Peço todos os dias às forças do universo que inspirem e iluminem meus pequeninos a nunca se esquecerem do prazer que é sentir a água salgada do mar banhando o corpo, num estado de harmonia plena com a vida e a natureza. Simplesmente isso.