O Grêmio Estudantil Loyola (GEL) foi fundado em 1985, no ano em que os militares devolveram o poder aos civis no Brasil. O país se preparava para viver novo ciclo democrático (que, afinal, sob vários aspectos, foi muito parecido ao que vigorou entre 46 e 64) e as pessoas se animavam a participar da vida comunitária. Entidade representativa dos alunos do segundo grau do Colégio Loyola, fundado em Belo Horizonte, pelos jesuítas, em 1943, o GEL teve como primeira presidente Dolores Cordovil, hoje juíza de Direito. O sucessor de Dolores foi Bruno Vasconcelos, atualmente juiz federal na capital. Fui o terceiro presidente. O mandato era de um ano. Coube-me presidir o GEL em 1987, ano em que o Congresso Nacional preparava a nova Constituição Federal, finalmente promulgada em 5 de outubro de 88. Para gerir o Grêmio, contei com o apoio de uma ótima chapa, integrada por amigos com quem convivo até hoje: Marcelo Sampaio, Tereza Sebastião Nogueira, Ricardo Magalhães Soares…

Entre os eventos realizados naquela ocasião, esteve o Festival de Poesia. Um dos primeiros lugares foi de Luciana Malta (hoje excelente médica). Jamais me esqueci de como começava seu poema vencedor: “Dizem os homens da Terra/que nobre é o destino da guerra/ que a paz nao passa de um mito/que morrer pela Pátria é bonito.”  Que talento!  O Festival acontecia no auditório do Colégio, que depois foi batizado com o nome do saudoso Padre Francisco Rigolin, morto em trágico acidente de ônibus. Outro dia, o diretor de teatro Robson Vieira, hoje à frente do ótimo grupo ‘Palavra Viva’, me disse que a primeira vez que recitou um poema em um palco foi durante o Festival de Poesia, experiência que o teria marcado para sempre.

Também celebrávamos o Dia Internacional da Paz (que coincidia com a data oficial do término da Segunda Guerra Mundial) e a Festa Junina, que era um verdadeiro acontecimento na cidade. Aberta ao público, cobrava ingressos e gerava lucro para o Grêmio. Nossa diretora sócio-cultural, a competente Juliana Guimarães Rosa, incumbiu-se da organização do evento e deu tudo certo.

Uma das atividades mais importantes do Grêmio era, sem dúvida, a produção do jornal “Em Frente”. Seu diretor, no meu tempo, era o aluno Guilherme Wagner Ribeiro, hoje secretário geral da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado. Guilherme foi um grande editor, sabendo reunir, num mesmo número, matérias interessantes sobre todos os assuntos: Política, Cultura, Esportes… Os estudantes gostavam de escrever para o jornal. Num tempo em que ainda nao havia a internet ou as redes sociais, a mídia impressa reinava, soberana, e o dia da publicação do jornal era aguardado com ansiedade.

Aprendi muito com a experiência do Grêmio. Sobretudo no que se refere ao trabalho em equipe e com foco no interesse coletivo. Guardo essa memória com muito carinho no baú das lembranças boas, que são as que alimentam a gente a seguir vida afora, na crença teimosa de que vale a pena.